quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Nuances do Amor ~Semana da Consciência Assexual~

Olá gente linda que está vindo ler essa postagem.
 A situação é o seguinte: como muitos viram na postagem passada, estamos na Semana da Consciência Assexual , e lá eu contei sobre minha vivencia, acontece que isso inspirou amigos, deu coragem para outros e muitos vieram me elogiar falando que eu era heroína e etc, não me considero muito tudo isso xD apenas sinto que foi bastante coragem pois muitos não tem.
Nessa situação eu inspirei um grande amigo meu, amigo esse que pediu um espaço no meu pequenino blog (até para coisas futuras) para contar sobre a vivência dele, vivência essa que debandou muito mais coragem que a minha para ser exposta, e eu fico muito feliz com o fato que o pouquinho que escrevi o fez ter vontade de se abrir.
Pessoas podem ler o texto e ignorar, mas quanto mais for mostrado, mais vai chegar a pessoas que se identificam de alguma forma, e isso pode deixa-las felizes.

O desenho foi pensado a partir de uma frase que o Lea falou, sobre vitimas de abuso andaram com braços cruzados como que protegendo o corpo, então fiz de braços abertos para mostrar a libertação e superação da situação, as plantas saindo do pé vem da frase ''criar raízes'' e veem do pé pois além dele ser mochileiro, a gente conhece as pessoas andando pelo mundo (ou por internet) e as flores nas pontas significa felicidade e amor que é dado para cada pessoa especial que ele encontra.

~~

"Como se começa um texto tão polêmico e revelador?"
Devia ter um tutorial sobre como fazer introduções a textos auto-revelativos (sendo que esta palavra não existe).
Iniciando com uma apresentação.
Sou o Lea, um antigo amigo da dona deste blog, a Janz. Creio que fazem 2~3 anos que nos conhecemos. Jana Bunny foi minha primeira (e única) amiga assexual e basicamente foi ela que me fez conhecer a maior parte disto.
Para ser sincero, não sou um grande fã de nomeclaturas, títulos e rótulos. "O movimento assexual", "Comunidade Assexual" ou coisas parecidas.
Claro, podem dizer que é por eu não assumir direito este lado, mas não, não é isso. Apenas não rotulo NADA em minha vida, por exceção minhas amizades.
Dado isto a conhecer, vamos às explicações básicas do que vou escrever.
Vou escrever sobre a minha assexualidade, como eu a encaro, como as pessoas a encaram e como ela realmente é.
Precisam entender o quão inconstante eu sou, então espero escrever a historia da forma mais coerente possível. E espero, de sincero coração, que entendam o meu lado psicológico e emocional.
Creio que contarei coisas MUITO sérias sobre mim aqui. Por isso manterei certo anonimato. Alguns traumas são reais fantasmas e eu tenho medo de fantasmas. (Jana saberá disso tudo, então, conto com a confiança que sempre tive nela.)
Sem mais, vamos lá.
Sou mais novo que a Jana. Sou um rapaz de 20 anos. Gostos normais. Aspirante à musicista e escritor. Gosto da cor laranja e de baleias. Sou assexual.
Vamos falar de infância.
Passei minha infância jogando. Desde sempre eu fui um jogador. E isso criou, desde cedo, uma ausência com o mundo social. Mas não confundam minha assexualidade com anti-socialidade.  Não eu apenas gosto de jogar e desde cedo não me senti bem na presença de outros.
Na escola eu era o mais pobre. Não tinha amigos. (Juro)
E assim seguiu uma infância normal. Gostava de gastar meu tempo imaginando, jogando e lendo.
Aos 8 tive meu primeiro contato sexual com um vizinho tambem novo. Acho que bobeira de criança.
Foi-se a infância
Na adolescência, toda e qualquer pessoa começa a se "descobrir" (termo este também muito banalizado e mal interpretado). Comigo não poderia ser diferente.
Mas aos 14/15 aconteceram duas coisas que entraram em conflito.
Eu estava apaixonado pela minha melhor amiga (péssima mania esta a minha) e, ao mesmo tempo, eu passei a vivenciar um abuso sexual.
Ah, mas aos 15 não é mais abuso.
Meus queridos, eu não disse que era abuso infantil. Eu disse que era sexual. E isso se faz em toda e qualquer idade.
Não o bastante, ele era realizado por alguém que morou comigo por alguns anos, uma pessoa de fora da família que foi agregada. Ele era (e é) 11/12 anos mais velho que eu.
Durou por 2 anos e isto foi realmente decisivo para muitas coisas.
O trauma durou por 4 anos até eu conseguir me tratar em cima disso e, hoje, olhar de forma positiva para isto.
Mas na época, a questão era: O que sou e como sou?
Procurei entender sobre mim, pois vejam, prazer físico não se assimila a prazer emocional.
No lado sexual, creio que qualquer pessoa possa sentir prazer, seja solo ou acompanhado. (A propósito, a Jana deixou uma incrível matéria que explica que assexuais podem, sim, sentir prazer. Vocês podem ler no texto dela.)
Apesar do contato sexual, eu sentia profunda aversão a este. Emocionalmente falando, eu me sentia apega a muitas pessoas, sendo uma paixão em especial. Um dia eu beijei esta minha amiga e paixão. Lembro-me do dia. 17 de Maio de 2010.
O que senti?
Eu ODIEI.
Mas me questionei: Como posso não ter gostado se eu sinto afeição pela pessoa?
Achei que tinha beijado errado. Sei la.
Nos beijamos outras vezes.
Continuou sendo horrível.
O tempo foi passando e as situações foram crescendo na mente. Até que aos 16, já ausente do lado sexual e totalmente ciente de que eu não me sentia à vontade com isso, eu consegui minha primeira namoradinha.
Emocionalmente eu era totalmente apegado a ela. Mas não tinha a menor vontade de beijar ou tocar (por mais belo que fosse o corpo dela. E era.) Também não sabia explicar isto a ela. E não expliquei.
Assexualidade é um termo ainda misterioso para as pessoas.
Mas após o término do namoro, tendo outros relacionamentos de flerte e pessoas apaixonadas por mim, comecei a entender sobre isto de mim e minha opção.
É sobre isto que falo agora.
O clímax.
O foco.
Minha assexualidade esclarecida.
Como as pessoas vêem?
Para um homem pode, e é, realmente difícil se assumir assexual. A Jana sabe: Os pais não sabem reagir. Querem te tratar.
Os amigos não sabem reagir. tentam ser normais e não conseguem.
Os estranhos te julgam e muito.
A pessoa que me entendeu melhor é minha irmã. Ela entende que eu posso sim não querer me casar ou não pensar em sexo.
Mas sabe o que é difícil? Essa parte do sexo. A sociedade vangloriou o sexo como a Nona Entidade Divina do Céu Sagrado dos Filhos Abençoados do Sei Lá o Que.
É só sexo. (Para mim.)
Não. Não acho nojento. (Não mais. Já me tratei. Já disse.) Mas não é interessante ou importante para mim.
Mas não se entende como um homem pode não pensar em sexo. 93% das pessoas me declaram gay logo na primeira vez. E olha que tenho voz grossa e to sempre de calça e roupa social. As pessoas não entendem o que é diferente e tudo bem. Aprendi a aceitar que jamais seremos invisíveis. Eles falarão. Só gostaria que, ao invés de julgar, perguntassem à mim.
Assim as pessoas vêem minha assexualidade. Como se eu fosse gay. Ou mentiroso. Ou galinha. Ou tanta coisa que já ouvi!
A parte ruim é que alguns se afastaram. Meu melhor amigo (eu achava que era) chegou a dizer que eu era gay sim e estava apaixonado por ele. Isso doeu. Muito. Por meses. Eu confiei nele um lado meu e ele me tratou como todos outros. Meu pai ainda acha que vou casar e dar netos para ele. (Risos)
Como eu vejo?
Eu vejo assim: E dai?
Eu poderia, a exemplo, criticar o fato do meu pai ter feito sexo com mais mulheres que Salomão. Porque isso para mim é errado e anti ético. É MEU conceito. Por favor entendam que estou, em todo texto, dando minha visão. Não estou sendo afirmativo.
Mas o paradoxo do machismo é errado. Sou homem por ser responsável, generoso, confiável e honesto. Eu realmente me considero um homem de muito sucesso. Um homem. Com dignidade de tal.
Não sou de pensar em sexo. Mas penso, porque as pessoas falam e eu não sou ignorante. Sei o que são pênis e vaginas. Mas para mim são só membros. Tao pouco usados como o cérebro de alguns. (Favor não se ofender.)
Eu entendi que era assexual quando notei que, mesmo após o tratamento, não achava sexo e beijos uma boa idéia. Não tenho essa vontade de beijar uma linda garota. Mas acho interessante uma coisa na minha vida: sou completamente capaz de admirar um corpo quando o vejo. Seja homem ou mulher.
Deus, existem sim, uns homens lindos e gostosos. Tal como mulheres lindas e gostosas. A beleza existe. Eu a reconheço. E assim seguimos.
Todos meus colegas pensavam e falam de sexo. Eu pensava e falava de psicologia e sentimentos.
HAVIA algo de diferente em mim. A Jana me ajudou a entender que isso era uma coisa emocional e natural minha. Eu não estou apto a me sentir atraído por certas coisas.
Isso me impede de ser feliz? JAMAIS. Chego a dizer que sou ainda mais feliz assim.
Sou completamente apaixonado por meus amigos. De uma forma que héteros e homos não são e não podem ser, pelo paradigma social.
Tem esse rapaz, por exemplo, o Jorge, que conheci há um mês. E sou completamente apaixonado (no sentido não romântico) pela existência dele. E a Aline, com quem eu gostaria de viver longos anos.
Posso conviver com isso. Vejo minha assexualidade como uma chance de pensar diferente e ser, como todos, a melhor pessoa que eu puder, me respeitando.
Como realmente é?
É uma vida. Eu como. Durmo. Como. Como. Deus, BOLOOOOOOO. EU AMO COMER. Pessoas são legais mas comida é bem mais.
Não é uma doença. Não é pecado. Não é um horror.
É uma vida onde eu foco em outras coisas.
Minha assexualidade não tem interesse físico nas pessoas. Mas me apego emocionalmente. Gosto de carinho. Eu choro MUITO com propaganda de TV. Eu choro MESMO com livros. E eu realmente sou alguém que sorri para tudo.
Eu gosto de ser amado e amar. Abraços. Amo abraçar. Realmente amo. Amo música. Sou uma pessoa. Um cara legal e gosto de ser visto como um homem.
Há muitas diferenças entre Jana e eu. Eu tenho real orgulho de ser visto como homem, porque eu tenho boas qualidades que me fazem sentir tal. É desconfortável ser tratado como um erro. Mas o tempo me fez aprender que as pessoas não estão prontas para algumas coisas. Meu papel é ser gentil. Ajudar. Rir. Criar uma boa impressão.
A propósito, sou metrosexual. Eu realmente sou muito apegado a aparência porque eu AMO meu corpo. O ser humano, todos nós, temos uma maquina incrível e eu aprendi a amar esta. Tenho saúde. Beleza. Arrogância. (Risos.) Quero me amar e me cuidar. Uso 6 produtos de cabelo e ainda me sinto homem. (Não confundam homem com hétero. Um é caráter o outro é orientação.)
Eu sei me amar e ser um bom cidadão. Faço serviços voluntários. Ajudo pessoas. Brinco com animais de rua. Ajudo necessitados. E isso é como vivo.
Ter romances a atrações físicas foi um detalhe a parte.
Eu ainda estou me entendendo e acho que, quem quiser, faria bem em conversar comigo para entender como sou.
Ser assexual para mim é normal como respirar. É como para alguns de vocês serem héteros. Vocês querem ter contato físico, intimidade, toques. Isso é lindo. De verdade.
Mas eu não gosto disto. Aprendi a mostrar outras formas de ser "intimo" de alguém.
Detalhes adicionais:
Se permitam ser a melhor companhia de vocês. Sejam a pessoa que vocês respeitam e admiram, com bom senso e modéstia. Sejam bons para si. Atraiam a bondade com sua freqüência. Atraiam o respeito. Todos, até o fim da vida, estaremos descobrindo facetas sobre nós. Sobre emoções, relações, sexo, religião, sonhos... Tudo. Sejam honestos e procurem fazer o que é digno.
Sobre uma coisa queria dizer:
Abuso sexual pode ser algo realmente critico e traumático, ainda mais se viver de uma instituição familiar e de alguém que era de confiança, como no meu caso.
Por quatro anos isso me bloqueou socialmente e foi ruim. Então precisa ser um assunto cuidado. Podem se desenvolver muitos transtornos mentais por causa disto, como Síndrome de Estocolmo, T. De Ansiedade Social,  Síndrome do Pânico entre outras. Você pode e é maior que qualquer coisa da sua vida. Tenha coragem e enfrente seus fantasmas. Lembre que feridas nao tratadas, infeccionam.
Gostaria de dar um conselho a todos:
"Não sejam somente suas asas. Sejam também o seu vôo."
Agradeço a todos por terem lido, os que leram. Escrevi muita história, eu sei. Mas precisava dizer.
Que todos fiquem bem. Que todos estejam crescendo como pessoas.
Agradeço e me despeço!
Volto a escrever quando a Jana Bunny me chamar! (Pode escrever sempre lea :3)
Grande abraço do Tio Lea.


~~

2 comentários:

  1. Acho que toda conscientização e necessária e todo mundo deve ser respeitado em sua condição!

    Parabéns pela postagem e eu te acho bastante corajosa por expor isso, assim como o seu amigo!

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